Prêmio Betinho reconhece projetos a favor da cidadania em São Paulo

André Bueno/CMSP

Prêmio Betinho homenageou projetos de cidadania

DA REDAÇÃO

Há 20 anos o sociólogo Herbert José de Souza partiu.  Betinho, um dos maiores ativistas dos direitos humanos do País deixou, entre tantos legados, a corajosa e tão necessária bandeira de combate à fome e à miséria, em um Brasil conhecido mundialmente pela desigualdade social.

Exilado pelo regime militar, hemofílico e portador do vírus HIV (adquirido em uma transfusão de sangue), o mineiro de Bocaíuva teve uma vida pautada por desafios e ganhou proeminência nacional e internacional justamente por enfrentá-los.

Betinho foi um protagonista de seu tempo. Amava a justiça e lutou incansavelmente pela cidadania. No fim da vida ainda teve tempo de liderar um dos mais belos exemplos de solidariedade em uma enorme e inédita campanha não governamental de arrecadação e distribuição de toneladas de alimentos para famílias carentes, além de uma série de iniciativas de mobilização em vários segmentos da sociedade.

Há duas décadas, o Brasil dizia adeus a Betinho. E há exatamente duas décadas, a Câmara Municipal de São Paulo faz questão de relembrar seu nome e seu exemplo, ano após ano.

Nesta segunda-feira (7/8), o Legislativo Paulistano realizou mais uma solenidade para homenagear as entidades que mais se destacaram na execução de projetos relacionados à luta pela cidadania e ao combate à fome e à miséria na capital paulista. A sessão foi presidida pelo vereador Eduardo Suplicy (PT) no Salão Nobre do Palácio Anchieta.

“Betinho conclamou o povo brasileiro e os governantes a efetivamente se dedicarem àquilo que deve ser o objetivo fundamental da nação brasileira: erradicar a pobreza e construir uma sociedade muito mais justa. E isso se representou também nas dezenas de instituições que apresentaram projetos aqui nesta noite”, disse Suplicy.

O Prêmio Betinho de Cidadania 2017 teve 36 projetos inscritos de 35 organizações. Pelas regras, participaram instituições sem fins lucrativos que desenvolvem atividades ou programas de enfrentamento da fome, exclusão, miséria e violência, entre outras práticas sociais no Município.

Vencedor e Homenageados

André Bueno/CMSP

Vânia Correia

O grande vencedor da noite foi o projeto Revista Viração, da Ong Viração, que recebeu a Salva de Prata. Criada em março de 2003, a publicação é produzida por conselhos de jovens presentes em 22 Estados brasileiros e no Distrito Federal, como explicou coordenadora executiva de projetos, Vânia Correia.

“A Viração atua mobilizando adolescentes e jovens. E é importante que eles tenham um espaço em que possam construir suas narrativas, falar das suas preocupações, perspectivas e contribuir para a construção de discursos alternativos à mídia hegemônica, que muitas vezes torna esse público invisível, principalmente os que vivem na periferia ou que fazem parte de minorias”.

O Prêmio teve mais quatro finalistas. Todos receberam placas com menções honrosas, como a Fundação Projeto Travessia, responsável pelo projeto Lume Centro – Educação Sócio-Protetiva na Rua.

André Bueno/CMSP

Mariana Ferreira Neves

“Nosso trabalho existe há 20 anos. Ao longo desse tempo a gente descobriu que as parcerias com outras entidades são fundamentais para alcançarmos melhores resultados. Então estamos todos os dias nas ruas, na defesa de garantia de direitos dos jovens em situação de rua”, contou o coordenador de projetos da Ong, Clóvis Tadeu Dias.

Outro projeto reconhecido com uma placa de honra foi a Campanha dos Embaixadores – TDI (Trabalhos de Inverno) 2017, da Ong Um Teto Para Meu País – Brasil. De acordo com a responsável pela área de relações internacionais e captadora de recursos da entidade, Mariana Ferreira Neves, o resultado dos trabalhos realizados neste ano foi animador.

“A gente organizou uma série de voluntários que fizeram propaganda, levantamentos e mobilização de pessoas para captar recursos, e foi muito positivo. Conseguimos, graças a eles, garantir a construção de muitas casas”, comemorou Mariana.

Os outros dois projetos que receberam menções honrosas foram: Educação para Cidadania no Cárcere, do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD); e Projeto TUOV 50 ANOS, do Teatro Popular União e Olho Vivo.

Veja mais fotos do Prêmio Betinho:

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