Ex-dirigente da Feira da Madrugada nega irregularidades no local

Luiz França/CMSP

CPI da Feira da Madrugada ouviu representante do consórcio que administra o local

DA REDAÇÃO

O ex-gestor financeiro do Consórcio SP, Marco Antônio Ferreira, negou nesta terça-feira (13/6) que existam irregularidades na Feira da Madrugada do Brás, região central da capital paulista. O consórcio é responsável pela administração do local.

Durante seu depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) – instalada na Câmara Municipal de São Paulo para averiguar possíveis problemas na Feira da Madrugada – ele ainda alegou que o contrato gera um prejuízo mensal de R$ 700 mil por conta da inadimplência dos comerciantes.

A Feira da Madrugada passou a ser administrada pelo Consórcio SP no ano passado. Desde então, uma série de denúncias, como duplicidade de boxes, vendas de armas de fogo, falta de limpeza e de segurança, além do funcionamento de um bingo começaram a surgir. “Eu desconheço esses problemas. Pelo menos, eles nunca chegaram ao nosso serviço de atendimento”, argumentou Ferreira.

O depoente contou que criou um SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) para que todos os tipos de denúncias fossem feitas. “Sempre trabalhei para ficar o mais próximo dos boxistas, dando o suporte e a segurança necessários. Alguns problemas que ocorriam era por falta de energia elétrica”, disse Ferreira.

Os vereadores da CPI não ficaram satisfeitos com o depoimento do ex-gestor financeiro do Consórcio SP e a falta de conhecimento dele sobre crimes que estariam ocorrendo na Feira da Madrugada.

“Ele [Ferreira] é mentiroso. Recebemos várias denúncias de que estão tentando expulsar os lojistas, que estão fazendo obras irregulares e que a limpeza e a segurança não estão sendo feitos”, disse o relator da CPI, vereador Camilo Cristófaro (PSB).

O presidente da Comissão concordou. “É necessário rever muita coisa, principalmente porque eles dizem que estão tendo de investir R$ 700 mil todos os meses. Estamos percebendo que temos denúncias graves sobre ações para expulsar os trabalhadores e de outras irregularidades. E o administrador vem aqui e diz que não se lembra”, argumentou Adilson Amadeu (PTB).

Alguns lojistas que acompanhavam o depoimento de Ferreira discordaram dos relatos do ex-gestor financeiro. Dona de um box desde 2005, Raimunda Félix de Lima contou que os R$ 954 pagos mensalmente não estão sendo utilizados para a manutenção de Feira da Madrugada. “A segurança e a limpeza não são garantidos e ele [ex-gestor financeiro do Consórcio SP] está mentindo. Eles querem nos expulsar”, detalhou.

Para David Sérgio Alves, lojista há seis anos na Feira da Madrugada, um dos problemas é a forma como a licitação foi feita. “A minha indignação é que nós comerciantes não pudemos participar dessa licitação. Agora temos esse Consórcio e o nosso faturamento caiu cerca de 90%”, argumentou.

O advogado do Consórcio, Giuseppe Gianudo Neto, considerou importante o depoimento. “Ele cuidava da parte operacional e todas as questões foram respondidas a contento. Acompanhamos o SAC e não tenho conhecimento dessas denúncias de irregularidade. A vigilância e os cuidados com a limpeza estão sendo bem desempenhados. Sempre que há reclamações, elas são resolvidas imediatamente”, explicou. Neto ainda acrescentou que a CPI é fundamental e “importante para que o Consórcio seja ouvido e tudo esclarecido”.

Para o relator da CPI, é necessário resolver o problema da Feira da Madrugada. “Vamos colocar nos eixos esse comércio e acabar com o sofrimento desses lojistas”, disse Cristófaro.

O presidente da Comissão acrescentou que os trabalhadores precisam ser respeitados. “Eles [lojistas] têm o direito adquirido e vamos continuar os trabalhos, intimando e convidando as pessoas para prestar esclarecimentos”, argumentou Adilson Amadeu.

O presidente da Câmara, vereador Milton Leite (DEM), chamou a atenção para a importância da CPI. “Espero que o trabalho chegue a um bom termo. Que respeite a economia local e os lojistas”, disse.

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