Ex-consulesa da França defende direitos dos negros brasileiros na Câmara

André Bueno/CMSP

Convenção de Líderes Negros no Salão Nobre da Câmara

DOUGLAS MATOS
DA REDAÇÃO

Alexandra Loras nasceu num gueto na periferia de Paris. Filha de mãe francesa e pai gambiano, ela se tornou jornalista e fez mestrado em mídia antes de vir para o Brasil, em 2012, com o marido Damien Loras, que foi cônsul francês em São Paulo.

Foi aqui que ela percebeu que o preconceito ainda é muito presente. Alexandra decidiu então morar na capital paulista para se dedicar ao ativismo contra o racismo e as discriminações de gênero.

André Bueno/CMSP

Alexandra Loras

Atualmente, a ex-consulesa trabalha com empresários para difundir a conscientização racial nas organizações e mostrar que o respeito à diversidade étnica é tão importante como a prosperidade do próprio negócio. Além disso, ela atua para promover o ingresso de mais profissionais negros no mercado de trabalho.

“Infelizmente é muito frágil. Falamos há anos sobre diversidade, fazemos congressos, organizamos feiras, só que ainda vejo os RHs muito tímidos, sempre com a desculpa de que não acham candidatos negros no Linkedin que falam inglês fluente ou que sejam formados nas melhores universidades. Só que é mentira. Eles é que não sabem procurar”, desabafou Alexandra.

Para confrontar essa ideia, ela criou um site para cadastrar currículos de afrodescendentes bilíngues e com formação em universidades de excelência, com o objetivo de encaminhá-los para cargos de liderança em grandes empresas.

A história de ativismo da ex-consulesa foi apenas uma das muitas contadas nesta quarta-feira (14/6) na Convenção de Líderes Negros no Salão Nobre da Câmara. O evento, que teve o apoio do vereador Ricardo Teixeira (PROS), recebeu vários convidados de destaque em suas áreas, além de representantes de organizações sociais, todos com uma intenção em comum: o combate definitivo ao racismo.

Para o ativista Jean Nascimento, presidente da ONG Sociedade Negra Paulistana, entidade que realizou o encontro, o grande objetivo é diminuir a desigualdade de oportunidades no país.

“Essa ação social é para unirmos empresários e autoridades. Porque infelizmente ainda estamos vendo que a população menos favorecida, como negros, pardos e refugiados, não consegue chegar aonde os outros chegam”, disse.

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