Conferência Produção mais Limpa discute áreas verdes de São Paulo

Luiz França/CMSP

16ª Conferência Climática reuniu especialistas para debater o plantio de árvores, reflorestamento, preservação de áreas verdes, parques e ocupações de mananciais

ELDER FERRARI
DA WEB RÁDIO CÂMARA

“Áreas Verdes de São Paulo: Ameaças e Conquistas”. Esse foi o tema da 16ª Conferência – Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas, organizada pelo mandato do vereador Gilberto Natalini (PV).

A Conferência foi realizada nesta segunda-feira (4/12). Reuniu diversos especialistas, tratou do plantio de árvores, reflorestamento, preservação das áreas verdes da cidade, parques municipais e das ocupações dos mananciais, extremamente danosas ao meio-ambiente.

Plantio de Árvores

Marcia Hirota, diretora da Fundação SOS Mata Atlântica, ressalta que a cidade de São Paulo conta com apenas 17,5% de mata preservada, nos extremos norte, na Serra da Cantareira, e sul da cidade, em Parelheiros. Ela destacou que a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente está elaborando um Plano Municipal da Mata Atlântica.

“Eles fizeram um amplo levantamento das áreas onde ainda existe floresta na cidade e onde precisa ser recuperado. Nós precisamos fazer com que as autoridades preservem e criem mais unidades de conservação. E façam com que o próprio cidadão contribua com mais verde: em casa e nos bairros.”

O engenheiro agrônomo e arborista Joaquim Teotônio Cavalcanti Neto, dono da PlantCare, empresa especializada em arborização urbana, entende que o plantio de árvores na cidade é importante, mas deve ser monitorado pelo poder público.

“Não é adequado que as pessoas saiam plantando aquilo que lhes vem à cabeça, porque elas podem plantar árvores de porte gigante, provocando prejuízos à cidade”.

Quedas de árvores

Segundo o Programa USP Cidades Globais, a cidade de São Paulo conta hoje com 650 mil árvores plantadas fora dos parques públicos, o que demanda custo e planejamento.

Um dos grandes problemas das árvores da cidade de São Paulo é a manutenção delas, já que muitas estão infestadas de pragas.

No início do ano, por exemplo, quando tivemos  o quarto janeiro mais chuvoso dos últimos 75 anos, São Paulo registrou ao longo do mês a queda de 833 árvores – 26,9 por dia. A manutenção das árvores deve ser feita constantemente, principalmente as podas adequadas, retirando galhos que possam provocar a queda.

Durante a Conferência também foi destacada a ampliação de um inventário das árvores da cidade, para que se possa conhecer a saúde de cada uma delas. No caso das pragas, o pesquisador científico Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico, que é ligado a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, explicou que foi desenvolvida uma metodologia de prospecção interna de árvores.

“A gente consegue analisar a porcentagem de danos internos causados por cupins e outros insetos. Isso é importante para saber se há necessidade de supressão ou não da planta, evitando que essa árvore caia prematuramente e provoque estragos.”

Preservação de áreas verdes e de mananciais 

As principais preocupações dos ambientalistas na cidade de São Paulo são o crescimento desordenado da mancha urbana e a especulação imobiliária em áreas verdes, as invasões dos movimentos sem-teto em áreas de proteção ambiental, os loteamentos clandestinos por grilagem urbana, e as ocupações esparsas em áreas de mata por barracos isolados.

O meio ambiente acaba sendo a principal vítima do déficit habitacional na cidade de São Paulo, que é de aproximadamente 360 mil unidades. A superintendente de Gestão Ambiental da USP, Patricia Iglecias, ressaltou que o poder público pode atacar esse déficit de moradias sem necessariamente afetar o meio ambiente, usando, por exemplo, áreas industriais descontaminadas.

“Existem áreas que foram contaminadas por atividades industriais, que passam por processos de remediação para utilização. Não necessariamente é preciso desmatar uma área que está preservada para habitação”.

Marcos Buckerige, coordenador do Programa USP Cidades Globais, dá uma dimensão da importância de se preservar as áreas verdes da cidade e usa como exemplo a Serra da Cantareira, na zona norte.

“Os 79 km quadrados da Cantareira preservada equivale a 12 vezes o rio Tietê passando por cima da cidade. Isso cria rios aéreos de vapor de água, o que é extremamente importante, pois espalha as frentes frias e evita as fortes chuvas e, consequentemente, os alagamentos.”

Revisão do Projeto de Arborização

Diante de toda essa problemática, o vereador Gilberto Natalini (PV), proponente das Conferências – Produção Mais Limpa e Mudanças Climáticas, informou que vai tentar a revisão do projeto de arborização da cidade de São Paulo, que é de 1987, da época do prefeito Jânio Quadros.

“Os conceitos avançaram e a Lei está ultrapassada. Nós estamos revendo a Lei, ponto a ponto, para apresentar um novo projeto de arborização para a cidade de São Paulo.”

Valorização das RPPNs

Também durante a Conferência, o vereador Gilberto Natalini assinou um Projeto que cria uma nova forma de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Segundo o vereador, o Projeto vai propor a compensação financeira da manutenção ou preservação das áreas verdes em terrenos ou propriedades privadas.

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