Dificuldades dos autistas no cotidiano são debatidas na Câmara

Luiz França/CMSP

Durante o debate foram levantados os principais problemas enfrentados pelos autistas e seus familiares

DA REDAÇÃO

A Câmara Municipal de São Paulo recebeu nesta segunda-feira (19/6) um debate sobre o TEA (Transtorno do Espectro Autista).  Tramita no legislativo paulistano o Projeto de Lei (PL 315/2017), que pede a inclusão do símbolo internacional do autismo em placas de supermercados, bancos, farmácias, bares e restaurantes, lojas, órgãos e repartições públicas, entre outros.

O autor do Projeto de Lei, o vereador Rinaldi Digiglio (PRB), explicou que o objetivo é proporcionar ao portador do transtorno um atendimento diferenciado.

“O PL obriga os estabelecimentos comerciais atender de forma diferenciada os autistas. E no evento de hoje ficou provado o quanto a cidade de São Paulo precisa ter mais Projetos de Lei para facilitar e ajudar o portador do transtorno do espectro autista.”

Durante o debate foram levantados os principais problemas enfrentados pelos autistas e seus familiares: a dificuldade de se obter o diagnóstico que precisa de uma análise multidisciplinar, a inclusão e a manutenção do autista na escola, vida adulta e o trabalho apoiado.

Também ficou constatado que são poucas as políticas públicas voltadas para os autistas. Um outro ponto levantado no debate, diz respeito ao benefício da residência médica. Miriam Lima, assistente social da AMA (Associação de Amigos do Autista), instituição referência no Brasil e que atualmente atende 330 pessoas, explicou que 23 pessoas são atendidas em residências médicas da AMA. Ela entende que esse número deveria ser ampliado, já que esse atendimento é específico e multidisciplinar.

“Eles vivem lá, tem um atendimento 24 horas, são filmados e os pais acompanham de casa. Também tem todo um atendimento junto com a família para nunca perder esse vínculo. Finais de semana eles vão pra casa, ficam com a família, voltam na segunda-feira. Eles conseguem fazer uma atividade física, ter um atendimento com terapia, tem psiquiatra, tem todo um atendimento multidisciplinar voltado para o autista.”

O comerciante Carlos Alberto Oliveira Mendes, que tem um filho autista de 29 anos. Ele entende que esse projeto de divulgar o símbolo internacional do autismo e legalizar um atendimento diferenciado é muito importante para derrubar a ignorância e o consequente preconceito.

“O preconceito é gerado pela ignorância. A pessoa não saber do que se trata, não saber como lidar com os diferentes graus da doença, casos de autistas que se auto-agridem num lugar público e as pessoas não sabem o que fazer. A ignorância é o que mais atrapalha.”

A cantora profissional Adriana Godoi, que faz parte da ONG Autismo Projeto Integrar e que também faz parte do Conselho de Pais do ‘Autismo é Realidade do Instituto Pensi’, chama a atenção para a falta de políticas públicas que atendam a vida adulta de um autista.

“A vida adulta do autista está esquecida, completamente à margem da sociedade em todas as suas estâncias: nas áreas do trabalho assistido, da assistência social, da saúde e da educação. Temos lacunas imensas nesse processo voltado para a vida adulta de um autista.”

O vereador Rinaldi Digiglio, proponente do evento, disse que ao ouvir as diversas dificuldades enfrentadas pelos autistas e seus familiares, pretende apresentar mais projetos, além do PL 315/2017.

“Nós vamos continuar conversando com os grupos que aqui estiveram e vamos dar continuidade a outros projetos de temas abordados nesse debate. A casa com certeza vai receber mais Projetos de Lei para ajudar o autista.”

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que, no fim dos anos de 80, somente uma criança, de 500 nascidas, era diagnosticada com autismo, e hoje, esse número saltou de uma criança com autismo para 68 nascimentos, um aumento superior a 85%. Ainda não existem estudos no Brasil que determinam o número exato de autistas, mas as organizações não-governamentais que cuidam do tema estimam em mais de 2 milhões de pessoas com o transtorno.

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